Lei Maria da Penha: O Que É, Como Funciona e Como Pedir Medida Protetiva
Violência Doméstica

Lei Maria da Penha: O Que É, Como Funciona e Como Pedir Medida Protetiva

Dra. Kelly Bernardo · OAB/MS 22.520

A Lei 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, é o principal instrumento legal de proteção da mulher vítima de violência doméstica e familiar no Brasil. Criada em homenagem a Maria da Penha Maia Fernandes, que sobreviveu a duas tentativas de homicídio pelo marido, a lei trouxe mecanismos concretos para coibir e prevenir a violência doméstica — indo muito além de punir o agressor.

Como Vice-Presidente da COMCEVID — Comissão de Combate à Violência Doméstica da OAB/MS — a Dra. Kelly Bernardo acompanha de perto a aplicação dessa lei nos tribunais de Campo Grande e em todo o Mato Grosso do Sul, defendendo mulheres que precisam de proteção imediata e representação jurídica qualificada.

Quais formas de violência a lei reconhece

A Lei Maria da Penha define violência doméstica como qualquer ação ou omissão baseada no gênero que cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial à mulher. São cinco as formas reconhecidas:

A proteção se aplica a relações conjugais, de namoro, entre familiares e entre pessoas que convivam sob o mesmo teto — independentemente de orientação sexual. Não é necessário existir coabitação atual.

O que é medida protetiva de urgência

A medida protetiva de urgência é uma decisão judicial que determina imediatamente a proteção da vítima. O juiz pode concedê-la em até 48 horas após o registro do boletim de ocorrência, sem necessidade de audiência prévia e sem que o agressor precise ser notificado antes.

As medidas mais comuns incluem:

Como pedir medida protetiva em Campo Grande

O processo é mais acessível do que muitas mulheres imaginam. Veja o passo a passo:

Não é obrigatório ter advogado para pedir medida protetiva. No entanto, a assessoria jurídica garante que todas as circunstâncias sejam documentadas corretamente e que nenhum direito seja ignorado ao longo do processo.

Quais provas ajudam no processo

Não é obrigatório apresentar provas físicas para registrar o B.O. A palavra da vítima tem peso probatório relevante nos crimes de violência doméstica. Mesmo assim, reunir evidências fortalece significativamente o caso:

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O que acontece depois da medida protetiva

A medida protetiva vigora enquanto durar o risco. O processo segue pela via criminal — a ação penal em violência doméstica é pública incondicionada, ou seja, o Ministério Público oferece a denúncia independentemente da vontade da vítima. Se houver necessidade, são propostas também ações cíveis para alimentos, guarda dos filhos e divisão de bens.

Um ponto importante: a vítima não pode simplesmente "retirar" a denúncia criminal. O Estado assume a persecução penal. Ela pode, porém, renunciar à medida protetiva perante o juiz — mas somente em audiência específica, com advogada ou defensora pública presente, para garantir que a decisão é livre e consciente.